Engraçado, desde quando cheguei aqui nos Estados Unidos não escrevo nada!
Tenho minhas teorias em relação a essa falta de vontade para escrever. Na verdade são hipóteses.
- Hipótese #1: Ter uma confidente real. Para mim, o sentido de escrever em um caderno de anotações (“diário” como alguns fazem questão de apontar) é contar as experiências diárias para uma pessoa (uma coisa) que irá escutar você: um confidente. Mas se a pessoa já tem um confidente, qual o sentido de escrever (ou falar) a mesma história duas vezes? Por isso que, quando estou namorando, escrevo muito menos ou até deixo de escrever. Não estou namorando… ainda.
- Hipótese #2: Ter confidentes*. Desde quando cheguei aqui, minha vida no exterior está mais ou menos resumida no Facebook e Instagram. Isso tem suas vantagens e desvantagens. É bom porque você está interagindo com amigos e colegas, que, mesmo longe, podem acompanhar o que se passa no seu dia-a-dia. Mas de vez em quando eu sinto falta das minhas reflexões pessoais. Acho que é por isso que as vezes gosto de sumir das redes sociais.
Enfim… desde quando eu cheguei aqui na cidade da minha irmã, a internet é algo diário e de fácil acesso (na própria casa). Só a partir de ontem, dia 03, que a internet complicou um pouco, pois minha irmã se mudou e aqui na casa nova ainda não tem internet. Essa falta de internet durante esses dois dias não poderia ter sido melhor. Eu só vejo vantagens nisso. Tive a oportunidade de parar um pouco para pensar, para me sentir livre, para descansar, para estar livre. Foi por isso na verdade que eu comecei a escrever ontem. Se tivesse internet eu lá ia escrever nesse caderno! Ia enviar logo um audio pelo WhatsApp para a minha confidente.
Agora que recebi este “aviso”, vou tentar manter horários sem internet, mesmo quando tiver internet aqui em casa. Eu sei que é muito difícil e também sei que possivelmente eu não consiga, mas queria muito tentar. Acessar apenas em alguns horários específicos, como, por exemplo, de 5h-6h, 11h-12h e a noite a partir das 20h. Se não fosse pela Luana, esses horários seriam muito fáceis, mas como eu quero falar com ela quase sempre, o negócio complica!
Pois bem, eu cheguei aqui nos Estados Unidos no dia 19 de maio e se fosse para resumir esses dias em 3 palavras, elas seriam: álcool, compras e internet. Não falo “saudade” porque ela está embutida, de alguma forma, nessas 3 palavras e porque é meio tosco eu, um garoto maduro, ficar chorando de saudades. Não que eu esteja chorando. Eu não estou chorando.
Agora que percebi que vão completar 20 dias que estou aqui. Isso já é bastante tempo. Mesmo assim, sinto que não conheci tantos lugares, digamos, turísticos. Mas a verdade é que eu nem sei se é isso o que me deixaria mais feliz ou se eu estaria fazendo isso para os outros (aquele pensamento de “é o que todo mundo faria, é a coisa certa a se fazer”). Ao invés disso, estou na rotina da minha irmã e do namorado dela, o Diego. Me inseri no cotidiano de Panama City Beach: estou trabalhando lavando pratos, estou comendo em todos os locais possíveis, ajudei-os a fazerem a mudança para a casa nova, estou fazendo compras nos lugares mais baratos etc. Só não sei onde vou levar tanta novidade para o Brasil. Teoricamente só posso levar uma mala de 23Kg para Fortaleza-CE. Geralmente eu poderia levar duas malas de 32Kg, mas como o meu voo internacional não é direto para Fortaleza, eu farei um voo doméstico de São Paulo para Fortaleza. É ai que lasca tudo! Então vou fazer de tudo para levar o mínimo.
Até ontem estava tudo bem, mas estava um pouco pacato meu dia-a-dia. Estava sentindo uma agonia no peito da mistura de impaciência com saudade e, como aprendi em Chicago, a solução é a “fuga”! A fuga desses sentimentos é a solução e, para conseguir isso, o segredo é se ocupar ao máximo. Eu já sabia disso, mas não estava conseguindo executar com maestria, como fazia antigamente, até que a Luana me chamou a atenção: menino, vai andar de bicicleta, vai andar de skate! Tenta ir o mais longe que tu conseguir e, quando tu estiver morto, volta pra casa e toma aquele banho. Se diverte, se liberte! E também não esquece de concluir a tua dissertação para quando tu chegar aqui, tu ter mais tempo para ficar comigo!”. Essa simples fala, tirando a ultima frase, que me lembrou das responsabilidades, foi o suficiente para me dar um tapa na cara. Ontem não deu para executar porque estava prestes a trabalhar, mas hoje mesmo peguei a bicicleta, dei uma volta de uma hora e pouco pelo bairro e quando voltei fiz meus velhos exercícios de rotina (7min Workout: para quem tem pouco tempo e não faz exercício físico, sugiro este aplicativo)
Digamos que hoje foi um dia comum (dos dias em que trabalho): acordei relativamente cedo, às 6h30min, me arrumei, tomei café da manhã e fui com Raquel para a faculdade dela. Principal motivo desta missão? Internet! Tinha que resolver umas burocracias como passagem de avião e aluguel de carro (pretendo ir para o estado de Nova Iorque no fim deste mês), mas acabei fazendo outra coisa, que gostei até mais; conversar com a Luana. Conversa vai, conversa vem, a aula da Raquel acaba. Passamos no Goodwill. Esse lugar é sensacional! Estou viciado! É uma loja onde as pessoas doam roupas usadas, ai é tudo muito barato, como se fosse um brechó. Os preços são os seguintes: camisa (4), calça (5), terno completo (10), blaser (5), bermuda (4). Ainda tem promoção todos os dias; se você escolher uma peça de roupa que tenha a fitinha com a cor do dia, aquela peça fica pela metade do preço. Obviamente eu caço as que são da cor do dia. As vezes você até acaba gostando de uma roupa por causa da cor da fitinha. Só sei que desde quando eu cheguei aqui, já comprei um blaser, um terno completo, umas 5 calças, 2 bermudas e umas 6 camisas. Talvez não pareça tanta coisa para alguns, mas confie em mim, é muita coisa! E para quem pensa que é muita coisa, não é tanta coisa assim. Essas roupas ficarão comigo até, pelo menos, 2022 (sete anos)! Isso não dá nem uma calça por ano. Pelo que conheço de mim, isso é apenas uma média.
Depois do Goodwill, fomos almoçar em um restaurante chinês (Jin Jin 88) para depois passar no Walmart (quem não conhece essa rede gigante de capitalismo (quer dizer, supermercado), vale assistir o documentário “Walmart”. É bem interessante. mostrando como as grandes redes acabam com os comércios locais). Contra minha vontade interior, me interessei por muitas coisas no Walmart, mas acabei não comprando. Acho que vou acabar voltando lá para comprar mesmo. Voltamos para casa, cochilei meia hora e quando acordei, fiz o que a Luana sugeriu: peguei a bike e fui dar uma volta. Já falei que quando voltei fiz aqueles exercícios (que todo mundo diz que é mesmo que nada) né?…
Como eu só trabalharia às 17h, saímos de casa umas 15h30min para passar na Ross (loja de roupas. Nem se compara com a Goodwill, a única diferença é que são roupas novas) e depois passamos em uma loja de tênis, onde eu comprei um Vans.
E a partir de 17h, como um dia qualquer de trabalho no Marina Cantina, lavei pratos, me cortei (como sempre) e fiquei com as mãos engilhadas e ressecadas. Nada fora do comum. Geralmente acabo com as louças por volta das 23h, mas ontem acabei às 23h40 e hoje sai sem terminar tudo porque a Raquel foi me pegar umas 23h20, mas deixei pouquíssimas coisas para um cara concluir.